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Segurança

Um ano sem respostas: crime de cobradores no noroeste do Paraná segue sem prisões

Há 12 meses, quatro homens foram mortos após cobrarem dívida em Icaraíma. Os principais suspeitos continuam foragidos e integram a lista vermelha da Interpol, enquanto investigação prossegue em sigilo.

Redação Conexão Oeste
Um ano sem respostas: crime de cobradores no noroeste do Paraná segue sem prisões

Caso continua sem solução após um ano

Completou-se no último dia 5 de agosto um ano desde o desaparecimento de quatro cobradores de dívida no noroeste do Paraná. Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza foram vistos pela última vez com vida naquela data, em Icaraíma. Seus corpos foram localizados semanas depois, enterrados em uma vala na zona rural.

Os investigadores apontam que os quatro foram vítimas de homicídio após cobrarem uma dívida de R$ 255 mil relativa à venda de uma propriedade rural. A transação envolveu a família Buscariollo, que se comprometeu ao pagamento em dez parcelas de R$ 25 mil cada, nenhuma delas honrada.

Suspeitos na lista vermelha da Interpol

As autoridades identificaram como principais suspeitos Antônio Buscariollo, 66 anos, e seu filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo, 22 anos. Ambos foram incluídos na difusão vermelha da Interpol e possuem mandados de prisão por homicídio, porém ainda não foram localizados.

Após serem ouvidos na delegacia em 6 de agosto de 2025, pai e filho desapareceram junto com demais membros da família. A residência deles foi alvo de mandado de busca e apreensão dias depois, mas nenhum dos suspeitos foi encontrado.

Investigação segue em sigilo absoluto

Inicialmente tratado como desaparecimento, o caso ganhou novo rumo quando a polícia confirmou tratar-se de crime. A partir de então, as autoridades impuseram sigilo absoluto sobre os detalhes das apurações.

Em dezembro de 2025, a Polícia Civil divulgou informações relevantes sobre a investigação. Na mesma época, dois policiais civis foram alvo de mandados de busca por suspeita de facilitar a fuga dos Buscariollo. O resultado dessa apuração específica não foi divulgado até agora.

Novas linhas de investigação em análise

O delegado responsável pelo caso, Thiago Inácio, revelou em entrevista que não descarta participação de outras pessoas no crime. Conforme suas declarações, a área onde os corpos e o veículo das vítimas foram encontrados constitui rota conhecida para tráfico e contrabando na região.

"O local é tido como rota do tráfico, do contrabando. Há indícios de que esse grupo tenha ligação com esses crimes também. Mas até o momento nada foi comprovado", afirmou o delegado.

Perícias realizadas pela Polícia Científica e análises da Polícia Civil continuam em andamento, buscando identificar todos os envolvidos no homicídio.

O que levou aos crimes

No dia 4 de agosto de 2025, Robishley, Rafael e Diego viajaram de São José do Rio Preto (SP) para Icaraíma contratados especificamente para cobrar a dívida. Alencar Gonçalves de Souza, morador local, havia firmado acordo com a família Buscariollo para venda da propriedade, mas enfrentava inadimplência total.

Os cobradores foram até o distrito de Vila Rica no mesmo dia para primeiro contato com os devedores. Naquela oportunidade, os Buscariollo ofereceram uma casa na área urbana como compensação, proposta rejeitada.

A última imagem dos quatro vivos foi registrada por câmera de segurança de uma padaria em Icaraíma na manhã de 5 de agosto. Por volta do meio-dia, as vítimas comunicaram-se pela última vez com suas famílias. Acredita-se que foram mortos em emboscada na propriedade rural dos suspeitos, por volta das 12h30.

Descoberta dos corpos após 44 dias

O veículo utilizado na viagem foi descoberto enterrado em bunker na mata em 12 de setembro, localizado pela Polícia Militar Ambiental. Conforme informações, o pai de uma das vítimas recebeu carta anônima com a localização do automóvel.

Os corpos foram encontrados apenas na noite de 18 de setembro, após 44 dias de buscas intensivas. Estavam enterrados em vala coberta por vegetação, a aproximadamente 650 metros de distância do local onde a picape havia sido desenterrada. Todos apresentavam marcas de tiros.

Defesa nega envolvimento dos suspeitos

O advogado que representa Antônio e Paulo Buscariollo nega qualquer participação dos clientes no crime. Segundo suas declarações, mantém dificuldades para acessar informações sobre o andamento processual em razão do sigilo judicial imposto.

A defesa reitera esperança de que a investigação seja concluída com análise integral de todas as evidências e possibilidades, não apenas confirmação de hipótese inicial.

O delegado responsável assegura que a Polícia Civil permanece comprometida com identificação e responsabilização de todos os envolvidos, oferecendo esperança aos familiares das vítimas que aguardam justiça.

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Com informações de G1 Paraná

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