Seletividade alimentar em crianças com TEA: os sinais que os pais não devem ignorar

Recusar brócolis no jantar é rotina em quase toda casa com criança pequena. Mas quando a
recusa alimentar se repete todos os dias, envolve poucos alimentos aceitos e vem
acompanhada de choro, ânsia de vômito ou crises diante do prato, o quadro pode ser outra
coisa: seletividade alimentar associada ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A seletividade alimentar atinge uma parcela significativa das crianças autistas, muito acima
do que se observa em crianças neurotípicas. Para famílias que enfrentam esse cenário
todos os dias, entender a diferença entre um “período de recusa” e um sinal de alerta é o
primeiro passo para buscar ajuda no momento certo.
O que caracteriza a seletividade alimentar no TEA
Segundo a nutricionista infantil Roberta Winter, especialista em terapia alimentar e
seletividade alimentar, o quadro costuma se manifestar de formas específicas, muito ligadas
às particularidades sensoriais do autismo.
“Não é birra e não é falta de educação alimentar. Na maioria das vezes, a criança está
reagindo a uma textura, um cheiro, uma cor ou até ao barulho que o alimento faz na boca. O
sistema sensorial dela processa essas informações de um jeito diferente, e isso muda
completamente a forma como ela se relaciona com a comida”, explica.
Sinais que merecem atenção dos pais
Alguns comportamentos costumam aparecer com frequência em crianças com seletividade
alimentar associada ao TEA:
Repertório alimentar muito restrito, geralmente com menos de 20 alimentos aceitosRecusa por categoria de textura, como evitar tudo que é pastoso, molhado ou
crocante
Rejeição a alimentos que se misturam no prato, mesmo que os itens sejam aceitos
separadamente
Preferência por marcas específicas de um mesmo alimento, recusando a versão de
outra marca
Reações intensas diante de alimentos novos, como ânsia, choro ou recusa em se
aproximar do prato
Perda de alimentos antes aceitos, quando a criança para de comer algo que já fazia
parte da rotina, sem motivo aparente
Nenhum desses sinais, isoladamente, fecha um diagnóstico. Mas quando aparecem
combinados e persistem por semanas, indicam que vale a pena investigar com mais
profundidade.
Por que a intervenção precoce faz diferença
Quando a seletividade não é acompanhada, o risco vai além da mesa de jantar. Repertórios
muito restritos podem comprometer a ingestão de nutrientes importantes para o
desenvolvimento, como ferro, zinco e vitaminas do complexo B, além de gerar impacto
social em situações como aniversários, escola e passeios em família.
“O objetivo do acompanhamento não é forçar a criança a comer o que ela recusa. É
entender a raiz sensorial e comportamental daquela recusa e trabalhar, com respeito ao
tempo dela, a ampliação segura do repertório alimentar. Isso é feito com estratégia, não
com pressão”, reforça Roberta Winter.
Onde buscar ajuda especializada
Famílias de Medianeira e da região oeste do Paraná têm buscado cada vez mais o
acompanhamento nutricional especializado como parte do cuidado multidisciplinar de
crianças autistas, ao lado de fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia infantil.
O atendimento nutricional infantil voltado à seletividade alimentar em Medianeira parte de
uma avaliação individualizada, sem fórmulas prontas, respeitando o ritmo e as
particularidades sensoriais de cada criança.
Sobre a especialista Roberta Winter é nutricionista infantil, especialista em terapia alimentar e seletividade alimentar, com atendimento voltado a crianças neurodivergentes na
Clínica Ser Singular, em Medianeira, PR.