Portal de Notícias do Oeste do Paranáquinta-feira, 17 de setembro de 2026
Saúde

Seletividade alimentar em crianças com TEA: os sinais que os pais não devem ignorar

Redação Conexão Oeste
Seletividade alimentar em crianças com TEA: os sinais que os pais não devem ignorar

Recusar brócolis no jantar é rotina em quase toda casa com criança pequena. Mas quando a

recusa alimentar se repete todos os dias, envolve poucos alimentos aceitos e vem

acompanhada de choro, ânsia de vômito ou crises diante do prato, o quadro pode ser outra

coisa: seletividade alimentar associada ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A seletividade alimentar atinge uma parcela significativa das crianças autistas, muito acima

do que se observa em crianças neurotípicas. Para famílias que enfrentam esse cenário

todos os dias, entender a diferença entre um “período de recusa” e um sinal de alerta é o

primeiro passo para buscar ajuda no momento certo.

O que caracteriza a seletividade alimentar no TEA

Segundo a nutricionista infantil Roberta Winter, especialista em terapia alimentar e

seletividade alimentar, o quadro costuma se manifestar de formas específicas, muito ligadas

às particularidades sensoriais do autismo.

“Não é birra e não é falta de educação alimentar. Na maioria das vezes, a criança está

reagindo a uma textura, um cheiro, uma cor ou até ao barulho que o alimento faz na boca. O

sistema sensorial dela processa essas informações de um jeito diferente, e isso muda

completamente a forma como ela se relaciona com a comida”, explica.

Sinais que merecem atenção dos pais

Alguns comportamentos costumam aparecer com frequência em crianças com seletividade

alimentar associada ao TEA:

Repertório alimentar muito restrito, geralmente com menos de 20 alimentos aceitosRecusa por categoria de textura, como evitar tudo que é pastoso, molhado ou

crocante

Rejeição a alimentos que se misturam no prato, mesmo que os itens sejam aceitos

separadamente

Preferência por marcas específicas de um mesmo alimento, recusando a versão de

outra marca

Reações intensas diante de alimentos novos, como ânsia, choro ou recusa em se

aproximar do prato

Perda de alimentos antes aceitos, quando a criança para de comer algo que já fazia

parte da rotina, sem motivo aparente

Nenhum desses sinais, isoladamente, fecha um diagnóstico. Mas quando aparecem

combinados e persistem por semanas, indicam que vale a pena investigar com mais

profundidade.

Por que a intervenção precoce faz diferença

Quando a seletividade não é acompanhada, o risco vai além da mesa de jantar. Repertórios

muito restritos podem comprometer a ingestão de nutrientes importantes para o

desenvolvimento, como ferro, zinco e vitaminas do complexo B, além de gerar impacto

social em situações como aniversários, escola e passeios em família.

“O objetivo do acompanhamento não é forçar a criança a comer o que ela recusa. É

entender a raiz sensorial e comportamental daquela recusa e trabalhar, com respeito ao

tempo dela, a ampliação segura do repertório alimentar. Isso é feito com estratégia, não

com pressão”, reforça Roberta Winter.

Onde buscar ajuda especializada

Famílias de Medianeira e da região oeste do Paraná têm buscado cada vez mais o

acompanhamento nutricional especializado como parte do cuidado multidisciplinar de

crianças autistas, ao lado de fonoaudiologia, terapia ocupacional e psicologia infantil.

O atendimento nutricional infantil voltado à seletividade alimentar em Medianeira parte de

uma avaliação individualizada, sem fórmulas prontas, respeitando o ritmo e as

particularidades sensoriais de cada criança.

Sobre a especialista Roberta Winter é nutricionista infantil, especialista em terapia alimentar e seletividade alimentar, com atendimento voltado a crianças neurodivergentes na

Clínica Ser Singular, em Medianeira, PR.

Compartilhar:WhatsAppFacebookX
Admin