Portal de Notícias do Oeste do Paranádomingo, 23 de agosto de 2026
Saúde

Médica é denunciada pela morte de seis crianças em UTI pediátrica no Paraná

O Tribunal de Justiça do Paraná aceitou denúncia contra médica responsável pela direção técnica de UTI pediátrica. Seis crianças morreram por contaminação intra-hospitalar entre maio e julho de 2024.

Redação Conexão Oeste
Médica é denunciada pela morte de seis crianças em UTI pediátrica no Paraná

Denúncia aceita pela Justiça

O Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) acatou, nesta segunda-feira (17), a denúncia formulada pelo Ministério Público contra uma médica que ocupava cargo de direção técnica na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Pediátrica do Hospital Angelina Caron, localizado em Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba. A profissional responderá por homicídio culposo envolvendo seis crianças e recém-nascidos. A identidade dela permanece protegida por sigilo processual.

Vítimas e período das mortes

De acordo com dados do Ministério Público paranaense, os óbitos ocorreram entre maio e julho de 2024. As vítimas tinham idades variadas: uma criança de 11 anos, outra de 5 anos, uma de 2 anos, um bebê de 9 meses, outro de 2 meses e 27 dias, e um último de 1 mês e 26 dias.

Causa das mortes investigada

A investigação indica que os óbitos resultaram de choque séptico e falência múltipla de órgãos, provocados por grave contaminação no ambiente hospitalar por bactérias resistentes aos tratamentos convencionais. O Ministério Público apontou que a médica negligenciou o cumprimento de normas técnicas profissionais, deixando de fiscalizar e garantir a aplicação de protocolos essenciais de higiene e biossegurança.

Irregularidades encontradas

A denúncia descreve práticas inaceitáveis identificadas no setor:

  • Reutilização de luvas de procedimento entre diferentes pacientes
  • Deficiências graves de higiene, incluindo falta de banhos para pacientes
  • Manuseio inadequado de tubos de intubação e acessos venosos
  • Omissão na prevenção da contaminação cruzada

Essas falhas criaram um ambiente propício para a disseminação de infecções hospitalares potencialmente fatais.

Reparação financeira solicitada

O Ministério Público solicita, além da condenação penal, indenização mínima de R$ 50 mil para cada família afetada pelos óbitos.

Posicionamento do Hospital Angelina Caron

Em comunicado, a instituição informou não ter recebido citação oficial do processo, que tramita sob sigilo judiciário. O hospital afirmou que assim que for formalmente notificado, prestará esclarecimentos pertinentes. Questionado sobre a permanência da médica no quadro funcional, a assessoria se recusou a comentar, invocando limites éticos e legais. A instituição reafirmou seu compromisso com segurança de pacientes e cumprimento de normas técnicas.

Conselho Regional de Medicina instaura sindicância

O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) tomou conhecimento do caso após receber ofício do Ministério Público e informou que instaurará procedimento sindicante. Caso sejam comprovadas condutas em desacordo com normas éticas, as sanções podem variar de advertência confidencial até cassação do registro profissional, dependendo da gravidade das infrações apuradas. Os procedimentos do conselho seguem sob sigilo processual.

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Com informações de G1 Paraná

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