Portal de Notícias do Oeste do Paranádomingo, 26 de julho de 2026
Brasil

Famílias de vítimas da Voepass conhecerão relatório final antes da divulgação pública

Parentes das 62 vítimas do acidente aéreo em Vinhedo terão acesso antecipado ao relatório da Força Aérea. A medida visa trazer alívio e respostas sobre as causas da tragédia que ocorreu em agosto de 2024.

Redação Conexão Oeste
Famílias de vítimas da Voepass conhecerão relatório final antes da divulgação pública

Momento aguardado pelas famílias das vítimas

Os familiares dos 62 passageiros e tripulantes que faleceram no acidente do voo 2283 da Voepass receberão, antes do público em geral, as conclusões finais da investigação conduzida pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão vinculado à Força Aérea Brasileira. O encontro reservado com os representantes das famílias está marcado para quinta-feira (23) em Brasília, apenas depois será realizada a coletiva de imprensa com as descobertas.

Adriana Ibba, mãe de Liz Ibba dos Santos, a vítima mais jovem do acidente com apenas 3 anos, destacou que este acesso antecipado foi acordado com os investigadores logo após a divulgação do relatório preliminar. Para ela, o momento representa alívio e esperança de obter respostas há muito esperadas. "Alguns questionamentos enfim serão respondidos, o que nos traz certo conforto e acalento", comentou.

Importância do documento para investigações futuras

O relatório do Cenipa não busca apontar culpados em termos legais, mas identifica os fatores que contribuíram para a queda da aeronave. Esse levantamento técnico serve de base fundamental para processos civis e pode embasar ações judiciais relacionadas à tragédia.

Leonardo Amarante, advogado que representa aproximadamente 130 familiares, informou que quase a totalidade dos acordos individuais de indenização já foi finalizada. A próxima etapa envolverá uma ação coletiva por danos morais. "O relatório da Aeronáutica contém informações técnicas substanciais imprescindíveis para fundamentar uma ação dessa magnitude", afirmou o profissional.

Procedimento comum de respeito às famílias

James Waterhouse, professor de engenharia aeronáutica da Universidade de São Paulo, explicou que a antecipação do relatório para os parentes é prática consolidada internacionalmente. "Trata-se de uma medida de respeito, evitando que as famílias tomem conhecimento dos detalhes pela mídia antes de receberem informações oficiais", comentou o especialista.

O que o relatório preliminar revelou

Quando divulgado meses após o acidente, o primeiro relatório do Cenipa apontou que menos de dois minutos antes da queda, um sistema de alerta na cabine indicou que o acúmulo de gelo comprometia o funcionamento da aeronave. Os investigadores também constataram que a tripulação havia detectado problemas no sistema antigelo logo no início do voo.

Simulações apresentadas pelo Cenipa mostraram, segundo a segundo, a cronologia exata dos acontecimentos baseados nos registros das caixas-pretas do avião.

Investigação criminal em paralelo

Enquanto o Cenipa elabora suas conclusões técnicas, a Polícia Federal conduz investigação criminal paralela para identificar possíveis responsáveis. No meio de 2024, representantes das famílias tiveram acesso, pela primeira vez, aos registros das conversas ocorridas na cabine de comando.

Os advogados aguardam a conclusão do inquérito para encaminhamento ao Ministério Público Federal, que decidirá sobre eventual denúncia à Justiça.

Sobre o acidente

A tragédia ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando o ATR 72-500 operado pela Voepass caiu no quintal de uma residência em Vinhedo, interior de São Paulo. O voo saiu de Cascavel, no Paraná, com destino ao Aeroporto de Guarulhos. Este foi o acidente aéreo mais grave no Brasil desde 2007.

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Com informações de G1 Paraná

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