Às vésperas do acordo Mercosul-UE, petista também afirma que a agricultura brasileira é alvo de narrativas distorcidas
Na abertura da Hannover Messe, neste domingo (20.abr.2026), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) celebrou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia e afirmou ser necessário combater “narrativas falsas” sobre a sustentabilidade da agricultura brasileira. Também afirmou que criar barreiras adicionais ao acesso de biocombustíveis é “contraproducente”.
Lula apresentou o acordo como uma alternativa ao avanço do protecionismo no mundo e também fez cobranças à União Europeia. Disse que o Brasil pode ajudar o bloco a reduzir custos de energia e descarbonizar sua indústria. Para isso, as regras europeias precisam levar em conta a matriz energética limpa do país.
Ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, o presidente disse que o acordo deve ampliar o comércio e os investimentos, com potencial de criar um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas e movimentar um PIB de aproximadamente US$ 23 trilhões.
“ O Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir o custo de energia e descarbonizar sua indústria. Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”, afirmou.
Em 1º de maio de 2026, a parte comercial do tratado entra em vigor de forma provisória. O acordo encerra 26 anos de negociações diplomáticas com divergências e foi aprovado pelo Senado brasileiro por unanimidade em março.
O tratato, porém, ainda enfrenta resistências internas no bloco europeu. Países como França, Polônia, Irlanda e Áustria demonstraram preocupação com a concorrência de produtos sul-americanos, e o texto ainda está sendo analisado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia.
A fala de Hannover integra uma agenda europeia de 5 dias. O presidente viaja com 14 ministros e passou por Barcelona, onde cumpriu a 1ª Cúpula Brasil-Espanha, antes de chegar à Alemanha. Na 3ª feira (21.abr.2026), o presidente segue para Lisboa.
Leia também:
