Vereadora de Curitiba é denunciada por comentários xenofóbicos contra colega cearense
O Ministério Público denunciou a vereadora Delegada Tathiana Guzella por discriminação após questionar por que uma colega não voltava para o Ceará. A vereadora Vanda de Assis classificou a fala como xenofóbica durante discussão sobre política de pessoas em situação de rua.

Denúncia por preconceito de procedência
O Ministério Público do Paraná formalizou denúncia contra a vereadora Delegada Tathiana Guzella, eleita pelo PL em Curitiba, acusando-a de discriminação por procedência nacional. O caso ocorreu durante sessão ordinária da Câmara Municipal quando debatia-se a implementação de uma política pública de cadastro para pessoas em situação de rua.
O episódio na tribuna
A vereadora Vanda de Assis, do PT e natural de Campos Sales no Ceará, estava apresentando sua posição sobre o projeto quando foi questionada por Guzella. A vereadora do PL perguntou publicamente por que Vanda não retornava ao seu estado de origem, afirmando ainda que ela teria vindo para Curitiba "encher o saco".
A fala de Guzella foi transmitida ao vivo durante os trabalhos legislativos, gerando reação imediata. O presidente da sessão desligou o microfone da vereadora para impedir a continuação do discurso, conforme prevê o regimento interno da Casa.
Classificação como xenofobia
Vanda de Assis respondeu imediatamente, classificando os comentários como xenofóbicos e destacando que tal prática constitui crime. A vereadora reforçou seu papel de combate à discriminação baseada em origem regional e informou que realizou denúncia à Polícia Militar após o encerramento da sessão.
Posicionamento do Ministério Público
Conforme a análise do órgão ministerial, as declarações tiveram objetivo claro de ofender, humilhar e desqualificar não apenas a vereadora atingida, mas também a população cearense de maneira geral. O MP solicitou condenação e indenizações que totalizam mais de R$ 97 mil.
A quantia engloba 20 salários mínimos em ressarcimento à vítima e 40 salários mínimos destinados ao Fundo Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. O órgão também sustenta que não são aplicáveis acordos de não persecução penal ou suspensão do processo.
Resposta da acusada
Através de nota oficial, Guzella refutou as acusações, afirmando ter recebido a denúncia com surpresa. A vereadora argumentou que sua intervenção era de natureza política, destinada a contestar os fundamentos do projeto em discussão, e não xenofóbica. Ela também apontou que sua fala foi interrompida antes da conclusão, impossibilitando a compreensão completa de seu pensamento.
Trâmites administrativos
Além da denúncia junto ao Ministério Público estadual, a Câmara Municipal de Curitiba recebeu cinco representações relacionadas ao caso. Quatro delas visam a Guzella e uma é direcionada contra a própria Vanda de Assis. A Mesa Diretora deve analisar a admissibilidade das representações em sessão específica, encaminhando posteriormente à Corregedoria.
Por Guzella ser corregedora da Casa, a instrução dos processos contra ela ficará sob responsabilidade do primeiro-vice-corregedor, garantindo isenção no julgamento.
Com informações de G1 Paraná