Portal de Notícias do Oeste do Paranádomingo, 26 de julho de 2026
Economia

Turismo e investidores internacionais disparam preços de aluguel e expulsam moradores das grandes cidades

A valorização acelerada dos imóveis em cidades turísticas brasileiras força moradores a deixarem bairros tradicionais. Fenômeno resultado do turismo crescente, nômades digitais e investimentos estrangeiros em imóveis de curta temporada.

Redação Conexão Oeste
Turismo e investidores internacionais disparam preços de aluguel e expulsam moradores das grandes cidades

A fuga por aluguel mais acessível

Grandes centros urbanos enfrentam um desafio crescente: o aumento vertiginoso dos preços de aluguel está afastando moradores locais de regiões historicamente valorizadas. O fenômeno, impulsionado pelo boom do turismo internacional e pela chegada de trabalhadores remotos estrangeiros, reduz a oferta de imóveis para contratos tradicionais e pressiona famílias a buscarem alternativas.

Moradores relatam decisões difíceis: permanecer na cidade mudando para bairros periféricos ou deixar a região completamente em busca de custo de vida mais compatível com seus salários. Profissionais que recebem em reais enfrentam especial dificuldade quando concorrem com investidores que ganham em dólares e euros.

Números que explicam a transformação

Os dados do mercado imobiliário revelam a intensidade da transformação. Entre 2023 e 2026, o valor médio do aluguel por metro quadrado saltou 42,7%, enquanto a inflação no período foi de apenas 14,9%. Apartamentos de um quarto tiveram aumentos ainda mais expressivos: 51,4% de alta nos mesmos três anos.

Em bairros mais cobiçados, a disparada foi ainda maior. Copacabana viu seus aluguéis dobrarem em cinco anos, com alta de 101,8%. Ipanema e Leblon registraram aumentos superiores a 105%, tornando esses endereços inacessíveis para a maioria da população.

Quem são os novos moradores das grandes cidades

O Brasil recebeu mais de 2,6 milhões de turistas estrangeiros no primeiro bimestre de 2026. Além disso, cresce o número de trabalhadores remotos que escolhem morar temporariamente no país. Foram emitidos vistos de nômade digital para 117 estrangeiros apenas nos primeiros meses de 2026, número que pode ser maior considerando aqueles que entram como turistas e permanecem longamente.

Esses visitantes, muitos com poder de compra em moedas fortes, buscam imóveis compactos em áreas próximas a praias e pontos turísticos. Investidores estrangeiros passaram a adquirir essas unidades com objetivo de locação de curta temporada, gerando rentabilidade superior aos contratos convencionais.

O impacto dos aluguéis de temporada

Plataformas especializadas em hospedagens curtas transformaram o mercado imobiliário. Apartamentos que antes eram alugados por período indeterminado agora são convertidos em unidades de temporada, reduzindo drasticamente a oferta para moradores permanentes.

Dados indicam que estrangeiros responderam por 28% das compras de estúdios em três bairros principais entre 2025 e 2026. Americanos lideram as aquisições, seguidos por compradores da Argentina, Espanha, Romênia e Suíça. Essa migração para modelo de curta temporada prejudica especialmente jovens, estudantes, casais sem filhos e idosos que dependem de imóveis compactos.

Lições de outras cidades do mundo

O desafio não é exclusivo de cidades brasileiras. Barcelona anunciou o fim das licenças para aluguéis temporários até 2028. Lisboa implementou restrições em 2023. Medellín vive expansão acelerada desse mercado acompanhada por inflação habitacional.

Especialistas alertam, porém, que cada cidade possui características distintas. O Rio de Janeiro ainda dispõe de múltiplos polos urbanos e capacidade de expandir oferta residencial em diferentes regiões, diferentemente de cidades europeias com espaço mais limitado.

Caminhos possíveis para o equilíbrio

Especialistas sugerem instrumentos para regular o fenômeno sem eliminá-lo: registro obrigatório de imóveis para temporada, compartilhamento de dados com poder público, limites anuais para locação, restrições em áreas sob pressão imobiliária e regras específicas para proprietários que não usam o imóvel como residência principal.

Aumentar a oferta habitacional, especialmente de unidades compactas, emerge como solução crucial. Mudanças recentes na legislação urbanística já incentivam construção desse segmento. Revitalização da região central e expansão de empreendimentos residenciais em áreas da Zona Norte também aparecem como estratégias para distribuir melhor a demanda.

O desafio central permanece: conciliar crescimento econômico com turismo mantendo a cidade acessível para quem nela trabalha e vive permanentemente.

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Com informações de G1 Paraná

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