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Segurança

STF valida provas contra médica acusada de antecipar mortes em Curitiba

O ministro Alexandre de Moraes reconheceu a validade de provas que haviam sido anuladas pelo STJ em investigação sobre a médica Virgínia Soares de Souza. A defesa recorreu ao plenário da Corte, e o caso segue em discussão nas instâncias superiores.

Redação Conexão Oeste
STF valida provas contra médica acusada de antecipar mortes em Curitiba

Ministro reconhece legitimidade de provas em caso de médica paranaense

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, validou as provas utilizadas na investigação contra a médica Virgínia Soares de Souza, acusada de abreviar a vida de pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Evangélico de Curitiba entre 2006 e 2013.

A decisão individual, divulgada em 30 de agosto, reverte entendimento anterior do Superior Tribunal de Justiça, que havia considerado as provas ilegais em abril de 2025. A defesa da médica já apresentou recurso solicitando julgamento pelo plenário do STF, onde todos os ministros analisarão o caso.

O que alegam os acusadores

Conforme denúncia do Ministério Público paranaense, a profissional teria reduzido níveis de oxigenação e administrado medicamentos para bloquear a respiração de pacientes. O objetivo, segundo a acusação, seria liberar leitos para receber novos internados. As alegações foram baseadas em exames, laudos periciais e depoimentos de testemunhas e colaboradores do hospital.

Argumentação do magistrado

Para Moraes, a operação de busca e apreensão de prontuários foi antecedida por investigação estruturada e indícios concretos. O ministro considerou que a ação respeitou critérios de delimitação temporal, espacial e material, restringindo-se aos óbitos ocorridos na UTI sob responsabilidade da investigada.

O magistrado também afirmou que seria inviável exigir a identificação prévia de todas as possíveis vítimas antes do exame dos registros médicos e que o sigilo dos prontuários não poderia obstar investigações sobre possíveis homicídios, principalmente porque o acesso recebeu autorização judicial.

Situação processual complexa

O Tribunal de Justiça do Paraná informou que o caso envolve aproximadamente 200 processos judiciais distribuídos entre diversas instâncias. A defesa aponta que a profissional foi absolvida em 28 ações penais no primeiro grau, sendo 15 dessas sentenças já confirmadas em segunda instância. Adicionalmente, 51 processos foram arquivados.

Em 2013, a médica foi detida e denunciada por homicídio qualificado juntamente com sete integrantes de sua equipe. Posteriormente, em 2017, a Justiça entendeu ser insuficiente a comprovação para envio ao Tribunal do Júri. Após recursos, em 2023, o Tribunal de Justiça absolveu a profissional em processo específico relacionado à morte de sete pacientes.

Repercussão imediata limitada

Embora a decisão de Moraes não produza efeitos imediatos sobre os julgamentos em andamento, ela permite que processos e inquéritos suspensos possam voltar a tramitar. Conforme registros da Polícia Civil, existiam 64 inquéritos abertos contra a médica em 2025.

A defesa destaca em comunicado que as absolvições já proferidas não são alteradas pela decisão individual do ministro e que mantém confiança na revisão colegiada do Supremo.

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Com informações de G1 Paraná

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