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Educação

Autoridade Nacional suspende uso de reconhecimento facial em escolas do Paraná

A ANPD determinou o fim imediato do sistema de reconhecimento facial usado para registrar frequência nas escolas estaduais. O governo afirma que o projeto já havia sido encerrado em julho de 2026.

Redação Conexão Oeste
Autoridade Nacional suspende uso de reconhecimento facial em escolas do Paraná

Governo Paraná interrompe sistema de biometria em instituições de ensino

A Autoridade Nacional de Proteção de Dados determinou a suspensão imediata do programa que utilizava reconhecimento facial para registrar a presença de alunos na rede pública estadual do Paraná. A ordem foi divulgada na última quinta-feira e proíbe qualquer coleta, consulta, comparação ou compartilhamento das informações biométricas até uma nova deliberação da agência.

O projeto, conhecido como "Chamada Inteligente" e lançado em 2023, funcionava através do aplicativo denominado Escola Paraná Biometria. O sistema capturava três fotografias de cada estudante durante o cadastro. Posteriormente, professores fotografavam as turmas diariamente para registrar a frequência, processo que envolvia a Secretaria de Educação, a Celepar e a empresa Valid.

Alcance do programa afetava milhões de estudantes

De acordo com informações fornecidas pela gestão estadual, o sistema operava em aproximadamente 2.136 instituições de ensino em 2021, cobrindo cerca de 1 milhão de alunos e mais de 100 mil funcionários. O programa chegou a ser apresentado como sendo implantado em torno de 1,6 mil escolas quando de seu auge.

A Secretaria de Estado da Educação do Paraná informou que o sistema funcionou como projeto-piloto e foi descontinuado em julho de 2026, quando o contrato com a empresa responsável foi finalizado. A secretaria também declarou que nenhum dado dos estudantes foi exposto.

Razões técnicas e legais para a suspensão

A ANPD concluiu que não havia fundamentação legal adequada para o tratamento de dados biométricos de menores de idade, categorizados como sensíveis pela Lei Geral de Proteção de Dados. A agência apontou várias problemas na implementação do projeto:

  • Apresentação de múltiplas justificativas jurídicas para a mesma finalidade, dificultando o exercício dos direitos dos titulares
  • Desnecessidade e desproporcionalidade da tecnologia, já que métodos menos invasivos poderiam registrar a frequência
  • Ausência de comprovação sobre controles adequados de acesso às imagens capturadas
  • Falta de fiscalização efetiva das empresas contratadas e validação dos algoritmos utilizados
  • Armazenamento prolongado de dados, potencialmente por até 14 anos enquanto o aluno permanecesse matriculado

A agência ressaltou que a simples praticidade operacional não é suficiente para justificar o tratamento de informações sensíveis, conforme exigências da legislação brasileira de proteção de dados.

Características biométricas apresentam risco permanente

A ANPD destacou que características biométricas possuem baixíssima possibilidade de substituição. Um eventual vazamento ou comprometimento desses identificadores pode gerar consequências duradouras muito superiores àquelas causadas pelo vazamento de senhas convencionais.

O governo terá dez dias úteis para comprovar a interrupção completa do tratamento de dados em todos os sistemas, escolas e empresas envolvidas. O caso será encaminhado à área de sanções da agência, que avaliará a abertura de procedimento administrativo contra a Secretaria de Educação. Cabe recurso contra esta decisão.

Repercussão política

A suspensão do programa atinge uma das iniciativas de destaque da administração de Ratinho Junior, que apresentava a digitalização da educação como marca de seu governo. Embora o governador não seja mais pré-candidato à Presidência da República, a decisão insere a questão do reconhecimento facial no debate político nacional, em momento em que candidatos à presidência propõem o uso da tecnologia para segurança pública.

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Com informações de G1 Paraná

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