Policiais são presos por tortura e extorsão no litoral paranaense
Dois policiais militares foram presos acusados de espancar vítimas dentro de batalhão e exigir pagamentos em dinheiro. As agressões foram registradas em vídeo e mensagens incriminadoras foram encontradas nos celulares dos suspeitos.

Operação da Promotoria Resulta em Prisão de Dois PMs
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu na manhã de segunda-feira dois policiais militares acusados de torturas, extorsão e abuso de autoridade no município de Pontal do Paraná, no litoral paranaense. Patrick Luiz da Rosa e Rodrigo Ramos Patrício Pinto foram detidos durante operação denominada Hubris, que investigava crimes praticados por agentes públicos.
Agressões Dentro da Unidade Policial
Conforme documentação do Gaeco, Patrick Luiz da Rosa teria espancado uma vítima dentro da sede da 5ª Companhia da Polícia Militar, na presença de outros militares e civis. O órgão ministerial destacou que as agressões ocorreram em local público da instituição, demonstrando descrédito dos suspeitos em relação a mecanismos de controle institucional.
Os investigadores apontam que os dois policiais utilizaram sua função e a estrutura do Estado para submeter vítimas a espancamentos e posteriormente exigir pagamentos em dinheiro. As investigações revelaram que a primeira agressão aconteceu quando os agentes encontraram um homem invadindo residências.
Evidências Documentadas em Vídeo e Mensagens
Um vídeo compartilhado entre os policiais em agosto documenta a primeira agressão, mostrando os suspeitos agredindo a vítima com pedaços de madeira, socos e chutes. As imagens contêm cenas de extrema violência, com a vítima em evidente sofrimento.
Além das gravações, as autoridades encontraram mensagens incriminadoras nos celulares apreendidos. Em comunicação com seu colega, Patrick relata a agressão, ao que Rodrigo responde sugerindo violência ainda maior: "Quebra a mão, braço, perna. Não adianta levar para a DP".
Patrick também confessou as agressões em mensagens para sua companheira, narrando detalhes sobre espancamentos de múltiplas vítimas e fraturas provocadas durante os atos de violência.
Extorsão Estruturada Contra as Vítimas
Após serem torturados, as vítimas começaram a receber mensagens cobrando pagamentos quinzenais de até três mil reais. Os suspeitos justificavam as cobranças utilizando expressões como "sua paz e dos seus familiares do corre", caracterizando esquema estruturado de extorsão.
As investigações tiveram início quando uma vítima procurou o Gaeco em novembro e relatou ter sofrido torturas e exigências de pagamento pelos policiais.
Posicionamento das Instituições
A Polícia Militar do Paraná informou que os dois agentes permanecem presos e foram afastados de suas atividades operacionais. A instituição reafirmou seu compromisso com legalidade e valores éticos, declarando que não compactua com condutas que violem preceitos legais.
As defesas dos policiais alegam que os autos estão em sigilo de justiça e, por isso, não conseguem esclarecer os pontos abordados no momento.
O caso levanta questionamentos sobre possível omissão de outros militares que presenciaram as agressões. O Gaeco não respondeu se os demais agentes que estavam presentes também são investigados.
Com informações de G1 Paraná