Paraná na vanguarda: o estado que aposta na economia azul como motor econômico
Enquanto o Brasil ainda enxerga o oceano como recurso secundário, o Paraná já aprovou lei estadual para desenvolver a economia azul. Entenda por que setor pode gerar trilhões e transformar cidades costeiras.

Um mercado de trilhões ainda ignorado
Quando se discute desenvolvimento econômico no Brasil, fala-se em agronegócio, indústria e serviços. O potencial dos mares permanece invisível na maioria das conversas. Porém, a realidade é bem diferente: o setor marítimo global—que engloba pesca, turismo, energia em águas profundas, transporte e biotecnologia—movimenta US$ 2,6 trilhões anualmente. As projeções indicam que esse volume pode duplicar até 2050.
Com 443 municípios costeiros espalhados pelo país, representando 27% do território nacional, o Brasil estaria entre as nações melhor posicionadas para liderar esse segmento. Na prática, porém, o oceano ainda não é reconhecido como grande motor de desenvolvimento sustentável.
O Paraná sai na frente
Enquanto muitos estados ainda discutem o tema, o Paraná já tomou atitude concreta: aprovou legislação estadual dedicada à economia azul. Essa antecedência coloca o estado ao lado de iniciativas em Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo, em um movimento que ganha força nas regiões litorâneas do país.
O que falta? Visão e educação
Segundo especialistas, o maior obstáculo não é falta de recursos ou oportunidades. É a chamada literacia oceânica—ou seja, a compreensão limitada da população e dos gestores públicos sobre o potencial econômico do mar. O setor marítimo internacional responde por 80% do comércio mundial usando apenas 2% a 3% das emissões globais, provando que pode ser altamente sustentável.
A solução passa por integração de políticas. Em vez de tratar porto, turismo e pesca como setores isolados, é preciso conectá-los com saneamento básico, infraestrutura e educação. Cidades como Niterói e Macaé já implementam o Selo Azul Cidades Costeiras, certificação que reconhece investimentos em proteção ambiental e qualidade de vida.
Modelo internacional: de onde copiar
Três países servem de referência global:
- França: forte indústria naval e clusters marítimos integrados
- Portugal: desenvolveu "escolas azuis" com currículo específico e criou hub de economia azul
- Barcelona (Espanha): exemplo de cidade litorânea inteligente e integrada ao desenvolvimento local
Educação como ponto de partida
Para que a transformação ocorra, especialistas apontam a educação como fundação. É necessário criar estímulo para jovens valorizarem os ativos culturais locais, permitindo que comunidades tradicionais desenvolvam produtos de alto valor agregado baseados em seus conhecimentos.
Os oceanos absorvem mais de 90% do excesso de calor do aquecimento global, sendo essenciais para regulação climática. Reconhecer essa importância econômica e ambiental é o primeiro passo para que o Brasil—e especialmente o Paraná—aproveite um potencial que a ONU colocou no centro das prioridades globais para a próxima década.
Com informações de G1 Paraná