Oeste do Paraná enfrenta onda de tornados: oito eventos em menos de 9 meses
O Paraná registrou oito tornados desde setembro de 2025, com destaque para os eventos devastadores de novembro que destruíram Rio Bonito do Iguaçu. O estado integra o segundo maior corredor de tornados do mundo.

Região enfrenta recorrência preocupante de tornados
O Paraná vivencia um período crítico de atividade tornádica, com pelo menos oito eventos confirmados pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) entre setembro de 2025 e junho de 2026. O fenômeno mais recente ocorreu no final de junho em Reserva, nos Campos Gerais, deixando dezenas de famílias com perdas significativas.
A sequência de tornados revela um padrão alarmante para a região Oeste, onde Mercedes foi atingida em janeiro. Especialistas alertam que essa concentração de eventos não é acidental, mas resultado de características geográficas e climáticas que tornam o estado particularmente vulnerável à formação desses fenômenos.
Por que o Paraná é tão vulnerável?
Segundo Karin Linete Hornes, pesquisadora em tornados da Universidade Estadual de Ponta Grossa, a culpa reside em uma combinação perfeita de fatores climáticos. O encontro entre sistemas de ar quente originários do Paraguai, entradas de frentes frias do sul e ciclones litorâneos cria as condições ideais para a instabilidade atmosférica.
O Paraná ocupa posição privilegiada no segundo maior corredor de tornados do planeta, ficando atrás apenas das pradarias centrais norte-americanas. Essa realidade coloca o estado em situação de risco permanente, especialmente nas épocas de maior variabilidade climática.
Escala de medição: como classificar a intensidade
Os tornados recebem classificação conforme a Escala Fujita tradicional, que avalia os danos causados a estruturas como residências, galpões, árvores e postes. Quanto maior a destruição, maior a categoria atribuída ao fenômeno:
- F0: ventos de 65 a 116 km/h — danos leves
- F1: ventos de 116 a 180 km/h — danos moderados
- F2: ventos de 180 a 253 km/h — danos consideráveis
- F3: ventos de 253 a 332 km/h — danos severos
- F4: ventos de 332 a 418 km/h — danos devastadores
- F5: ventos de 418 a 511 km/h — destruição extrema
Os tornados de 2025: o pior de todos
O evento mais devastador ocorreu em 7 de novembro de 2025, quando três tornados distintos varreram a região central do estado. Onze municípios foram atingidos, com Rio Bonito do Iguaçu sofrendo a destruição mais severa. O tornado que passou pela cidade foi classificado como F4, com ventos próximos a 400 km/h, levando à morte sete pessoas e deixando mais de 800 feridos em todo o estado.
Rio Bonito do Iguaçu precisou ser praticamente reconstruída, com aproximadamente 90% da cidade comprometida. Os danos ultrapassaram capacidades de resposta local, exigindo mobilização estadual para reconstrução.
Eventos isolados com danos progressivos
Em setembro de 2025, um tornado F1 atingiu Santa Maria do Oeste na região central, gerando danos em plantações e residências. O fenômeno deixou centenas de moradores sem energia e água por mais de um dia.
Já em 2026, a sequência continuou. Em janeiro, Mercedes e a região metropolitana de Curitiba enfrentaram tornados F1 e F2 respectivamente, este último com ventos de 180 km/h. Em fevereiro, Foz do Iguaçu registrou o evento menos intenso da série, um F0 que afetou apenas uma propriedade.
O mais recente, em Reserva, causou danos em onze casas e deixou cinquenta pessoas prejudicadas, com dez precisando sair de suas residências. O evento foi acompanhado de granizo de tamanho considerável e acumulados significativos de chuva.
Perspectivas para o futuro
A recorrência desses eventos levanta questões sobre preparação e prevenção. Comunidades na região Oeste precisam estar cada vez mais preparadas para enfrentar temporadas de tornados, com investimentos em sistemas de alerta e estruturas de proteção.
Com informações de G1 Paraná