Mulher é denunciada por planejar morte de funcionária e ameaçar filho que descobriu trama
Ministério Público do Paraná denunciou uma mulher de 41 anos e seu marido por tentativa de homicídio qualificado contra servidora de Casa Lar. O filho adolescente descobriu o plano e alertou as autoridades, impedindo o crime.

Trama criminosa descoberta pelo filho
Uma mulher de 41 anos foi denunciada pelo Ministério Público do Paraná por tentar encomendar o assassinato de uma funcionária de uma instituição de acolhimento em Abatiá. O caso ganhou contornos ainda mais graves ao revelar que a suspeita ameaçou o próprio filho de morte quando ele descobriu o plano e decidiu denunciar às autoridades.
A mulher permanece presa preventivamente desde 10 de julho, quando a denúncia foi formalizada. A Justiça manteve a prisão como medida essencial para proteger as vítimas envolvidas no caso.
Como o crime foi descoberto
Um adolescente de 16 anos, durante uma visita aos pais em um local de acolhimento onde mora, ouviu conversas sobre a possível execução. Desconfiado, o jovem consultou o celular materno e encontrou mensagens trocadas entre a mãe e um intermediário. Nessa correspondência, a suspeita detalhava onde a funcionária costuma estacionar seu veículo e negociava o valor de três mil reais pelo crime.
As mensagens revelavam o propósito criminoso de forma explícita, com a mulher mencionando o desejo de "eliminar uma infeliz do mapa". O adolescente, ao tomar conhecimento da situação, imediatamente comunicou à vítima e registrou ocorrência na Polícia Civil.
Ameaças contra o próprio filho
Segundo investigações do Ministério Público, quando a mãe percebeu que o filho pretendia revelar o plano às autoridades, ela o ameaçou com uma faca para coagi-lo ao silêncio. Essa tentativa de intimidação fracassou, e o adolescente manteve sua postura de denunciante.
Acusações formalizadas
O casal foi denunciado por diversos crimes:
- Tentativa de homicídio qualificado – pelo planejamento prévio da execução, caracterizada como crime fútil com uso de recurso que dificultaria a defesa da vítima
- Perseguição – monitoramento reiterado de quatro servidores públicos, acompanhando rotinas e coletando imagens pessoais pela internet
- Coação – ameaças diretas contra o filho para obstruir a denúncia
O Ministério Público solicitou também uma indenização de cem mil reais para compensar os danos morais sofridos pelas vítimas.
Motivação: perda da guarda dos filhos
A investigação constatou que a motivação da mulher estava vinculada à perda da guarda de seus três filhos. Ela culpava a servidora da Casa Lar pela situação, ainda que a responsabilidade recaísse sobre decisão judicial.
Segundo delegado responsável pelo caso, o afastamento das crianças ocorreu após constatarem negligência grave, incluindo falta de alimentação adequada, ausência de educação formal e abandono escolar. As crianças também apresentavam sinais de maus-tratos.
O Ministério Público acompanha a família desde pelo menos 2022, tendo adotado medidas anteriores antes de necessária retirada da guarda.
Papel do intermediário
A investigação identificou o intermediário que recebia as mensagens criminosas. Esse indivíduo foi colaborativo com a polícia, fornecendo prints das conversas que haviam sido apagadas do celular da suspeita. Conforme seu relato, ele estava testando se a mulher realmente levaria o crime adiante, com intenção de comunicar o fato às autoridades posteriormente.
O homem não foi preso e continuou auxiliando as investigações.
Crime não consumado
O Ministério Público ressaltou que o homicídio não foi executado porque o filho adolescente interveio, alertando a vítima e possibilitando o registro policial. Com a divulgação pública dos fatos, o executor contratado desistiu de prosseguir.
A funcionária ameaçada não sofreu ferimentos e encontra-se segura. O Ministério Público fiscaliza regularmente a instituição onde ela trabalha e confirmou não haver irregularidades no atendimento prestado.
Com informações de G1 Paraná