Portal de Notícias do Oeste do Paranáquinta-feira, 17 de setembro de 2026
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Meu filho só come 5 alimentos: isso é normal ou é seletividade alimentar?

A pergunta que fica é sempre a mesma: isso ainda é uma fase, ou já é hora de procurar ajuda?

Redação Conexão Oeste
Meu filho só come 5 alimentos: isso é normal ou é seletividade alimentar?

Arroz branco, macarrão sem molho, pão, nuggets e biscoito de um tipo específico. Para

muitas famílias, essa lista curta representa praticamente tudo o que o filho aceita comer, dia

após dia, mês após mês. A pergunta que fica é sempre a mesma: isso ainda é uma fase, ou

já é hora de procurar ajuda?

A resposta não é simples, e é justamente por isso que tantos pais convivem anos com a

dúvida antes de buscar orientação profissional.

Nem toda recusa alimentar é seletividade

Fases de recusa fazem parte do desenvolvimento infantil. Entre 2 e 4 anos, é comum que a

criança questione alimentos novos, prefira sempre os mesmos pratos e recuse misturas.

Isso costuma ser chamado de neofobia alimentar e, na maioria dos casos, se resolve

sozinho com exposição repetida e sem pressão.

O que diferencia essa fase de um quadro de seletividade alimentar que precisa de

acompanhamento é a persistência, a intensidade e o impacto no dia a dia.

Quando o repertório restrito acende o sinal de alerta
Segundo a nutricionista infantil Roberta Winter, especialista em terapia alimentar e

seletividade alimentar, alguns critérios ajudam a diferenciar as duas situações:

Tempo: a restrição persiste por mais de alguns meses, sem sinais de melhora

Quantidade de alimentos aceitos: repertório abaixo de 20 itens, especialmente

quando concentrado em poucas categorias, como só carboidratos ou só alimentos

industrializadosRigidez: a criança recusa qualquer variação, como mudança de marca, embalagem ou

formato do mesmo alimento

Impacto físico: sinais de baixo ganho de peso, cansaço, prisão de ventre ou baixa

imunidade

Impacto social e familiar: recusa em participar de refeições fora de casa, na escola ou

em eventos, e desgaste emocional na hora das refeições

“Quando esses pontos aparecem juntos, principalmente em crianças com TEA ou outras

condições do neurodesenvolvimento, não estamos mais falando de uma fase. Estamos

falando de um padrão que merece avaliação individualizada”, explica Roberta.

O erro mais comum: esperar a criança “sair sozinha” da fase

Um dos equívocos mais frequentes é adiar a busca por ajuda na expectativa de que o

repertório vai se ampliar naturalmente com o tempo. Em muitos casos, o oposto acontece:

sem intervenção, o repertório tende a ficar ainda mais restrito, porque a criança aprende a

evitar qualquer situação de desconforto relacionada à comida.

Isso não significa que toda criança seletiva precise de acompanhamento imediato e

intensivo. Significa que, diante de sinais de persistência e impacto no crescimento, adiar a

avaliação tende a tornar o processo mais longo.

Como funciona o acompanhamento nutricional nesses casos

O trabalho com repertório alimentar restrito não parte da lógica de “obrigar a comer mais

coisas”. Parte de uma avaliação individualizada do histórico alimentar, das características

sensoriais da criança e do contexto familiar, para então construir, com segurança e sem

pressão, uma ampliação gradual do repertório.

Em Medianeira e na região oeste do Paraná, esse tipo de atendimento nutricional infantil

tem sido cada vez mais buscado por famílias de crianças com seletividade alimentar e TEA,

geralmente em conjunto com fonoaudiologia e terapia ocupacional, formando uma rede de

cuidado multidisciplinar.

Sobre a especialista Roberta Winter é nutricionista infantil, especialista em terapia

alimentar e seletividade alimentar, com atendimento voltado a crianças neurodivergentes na

Clínica Ser Singular, em Medianeira, PR.

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