Meu filho só come 5 alimentos: isso é normal ou é seletividade alimentar?
A pergunta que fica é sempre a mesma: isso ainda é uma fase, ou já é hora de procurar ajuda?

Arroz branco, macarrão sem molho, pão, nuggets e biscoito de um tipo específico. Para
muitas famílias, essa lista curta representa praticamente tudo o que o filho aceita comer, dia
após dia, mês após mês. A pergunta que fica é sempre a mesma: isso ainda é uma fase, ou
já é hora de procurar ajuda?
A resposta não é simples, e é justamente por isso que tantos pais convivem anos com a
dúvida antes de buscar orientação profissional.
Nem toda recusa alimentar é seletividade
Fases de recusa fazem parte do desenvolvimento infantil. Entre 2 e 4 anos, é comum que a
criança questione alimentos novos, prefira sempre os mesmos pratos e recuse misturas.
Isso costuma ser chamado de neofobia alimentar e, na maioria dos casos, se resolve
sozinho com exposição repetida e sem pressão.
O que diferencia essa fase de um quadro de seletividade alimentar que precisa de
acompanhamento é a persistência, a intensidade e o impacto no dia a dia.
Quando o repertório restrito acende o sinal de alerta
Segundo a nutricionista infantil Roberta Winter, especialista em terapia alimentar e
seletividade alimentar, alguns critérios ajudam a diferenciar as duas situações:
Tempo: a restrição persiste por mais de alguns meses, sem sinais de melhora
Quantidade de alimentos aceitos: repertório abaixo de 20 itens, especialmente
quando concentrado em poucas categorias, como só carboidratos ou só alimentos
industrializadosRigidez: a criança recusa qualquer variação, como mudança de marca, embalagem ou
formato do mesmo alimento
Impacto físico: sinais de baixo ganho de peso, cansaço, prisão de ventre ou baixa
imunidade
Impacto social e familiar: recusa em participar de refeições fora de casa, na escola ou
em eventos, e desgaste emocional na hora das refeições
“Quando esses pontos aparecem juntos, principalmente em crianças com TEA ou outras
condições do neurodesenvolvimento, não estamos mais falando de uma fase. Estamos
falando de um padrão que merece avaliação individualizada”, explica Roberta.
O erro mais comum: esperar a criança “sair sozinha” da fase
Um dos equívocos mais frequentes é adiar a busca por ajuda na expectativa de que o
repertório vai se ampliar naturalmente com o tempo. Em muitos casos, o oposto acontece:
sem intervenção, o repertório tende a ficar ainda mais restrito, porque a criança aprende a
evitar qualquer situação de desconforto relacionada à comida.
Isso não significa que toda criança seletiva precise de acompanhamento imediato e
intensivo. Significa que, diante de sinais de persistência e impacto no crescimento, adiar a
avaliação tende a tornar o processo mais longo.
Como funciona o acompanhamento nutricional nesses casos
O trabalho com repertório alimentar restrito não parte da lógica de “obrigar a comer mais
coisas”. Parte de uma avaliação individualizada do histórico alimentar, das características
sensoriais da criança e do contexto familiar, para então construir, com segurança e sem
pressão, uma ampliação gradual do repertório.
Em Medianeira e na região oeste do Paraná, esse tipo de atendimento nutricional infantil
tem sido cada vez mais buscado por famílias de crianças com seletividade alimentar e TEA,
geralmente em conjunto com fonoaudiologia e terapia ocupacional, formando uma rede de
cuidado multidisciplinar.
Sobre a especialista Roberta Winter é nutricionista infantil, especialista em terapia
alimentar e seletividade alimentar, com atendimento voltado a crianças neurodivergentes na
Clínica Ser Singular, em Medianeira, PR.