Ex-estagiário do MP é denunciado por oferecer defesa jurídica em troca de academia
Estagiário da Promotoria de Justiça em Pitanga foi demitido após contactar acusado de violência doméstica oferecendo serviços advocatícios da mãe em troca de isenção de mensalidade. Um mês depois, ele já possuía inscrição na OAB.

Estagiário demitido se torna advogado após escândalo ético no MP
Um estagiário de pós-graduação em Direito que atuava no Ministério Público do Paraná foi desligado do cargo após tentar negociar serviços jurídicos em troca de benefícios pessoais. O caso ganhou repercussão ao revelar condutas que violam princípios éticos fundamentais da administração pública.
O profissional, que realizava residência técnica na Promotoria de Justiça de Pitanga desde janeiro de 2026, entrou em contato direto com um homem denunciado por violência doméstica. Na comunicação, ofereceu os serviços advocatícios de sua mãe, solicitando que as mensalidades de uma academia fossem utilizadas como forma de pagamento.
Como o caso foi descoberto
A conduta ilícita veio à tona no mês de março, quando a vítima de violência doméstica recebeu mensagens destinadas ao acusado. Isso ocorreu porque a mulher havia ficado de posse do telefone do ex-marido após o divórcio. Ao notar indícios de atividades criminosas nas mensagens, ela denunciou o caso ao órgão ministerial imediatamente.
As autoridades verificaram que o estagiário tinha acesso a documentação sigilosa do processo e se aproveitava dessa posição para obter vantagens pessoais. O MP o desligou no mesmo dia em que descobriu o ocorrido.
Orientações inapropriadas ao acusado
Nas mensagens interceptadas, o jovem não apenas ofereceu os serviços da mãe, como também orientou o acusado sobre estratégias processuais. Ele sugeriu que fosse contratado um advogado particular em vez de aguardar a nomeação de um dativo, alegando que havia verificado nos autos da ação que não existiam provas suficientes das acusações.
O estagiário chegou a afirmar que, comprovado o descumprimento das medidas protetivas pela ex-companheira, a absolvição seria certa. Tais orientações revelam grave abuso de função e violação do sigilo profissional.
Novos desdobramentos
Após sua demissão, o investigado se tornou advogado inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil no mês seguinte. Atualmente, responde como réu pelos crimes de quebra de sigilo funcional e corrupção passiva. O MP-PR também ajuizou ação civil para aplicação de sanções por ato de improbidade administrativa.
A Ordem dos Advogados do Brasil no Paraná informou que profissionais em programas de residência jurídica em órgãos públicos possuem restrições específicas quanto ao exercício simultâneo da advocacia. A instituição reforçou que acompanha o caso e adotará as medidas disciplinares apropriadas.
Transcrição das mensagens
Na comunicação inicial, o estagiário escreveu: "Boa tarde, mestre, tudo bem? Vou direto ao assunto. O caso do senhor veio parar aqui na promotoria que eu trabalho. Minha mãe é advogada e gostaria de fazer uma proposta. Estou apertado nas contas, e ela aceitou acompanhar seu processo. A forma de pagamento seriam nossas mensalidades do treino".
Em sequência, complementou: "Sugiro que você pegue um advogado particular, pelo que vi nos autos não tem provas nenhuma do que ela alega, e se você provar que ela está descumprindo as medidas é absolvição na certa".
Ainda não há data prevista para o julgamento do caso.
Com informações de G1 Paraná