Três gerações cultivam erva-mate com dedicação e tradição familiar
Uma família no Sul trabalha há três décadas no cultivo de erva-mate, preservando técnicas tradicionais e fortalecendo laços através do chimarrão. A história une raízes indígenas, conhecimento acumulado e perspectivas para o futuro da cultura regional.

Plantio, colheita e convivência: a trajetória de uma família na erva-mate
Em propriedades do interior gaúcho, o cultivo de erva-mate representa muito mais que uma atividade produtiva. Para famílias como a dos Greselle, é sinônimo de herança, aprendizado contínuo e momentos de encontro. Há três décadas, Danilo, sua esposa Clair e a filha Larissa dedicam-se integralmente ao manejo de aproximadamente 22 hectares destinados à erva-mate, onde crescem entre 80 mil e 100 mil pés plantados pela própria família.
A construção dessa propriedade não foi rápida. Cada etapa demandou paciência, observação e comprometimento. Danilo relata que o processo começou aos poucos, com trabalho manual contínuo de limpeza, plantio e manutenção. Mesmo residindo na cidade atualmente, ele segue a rotina diária na propriedade, acompanhando as fases do desenvolvimento da planta.
O conhecimento que vem da experiência
A colheita exige técnica refinada. Não se trata simplesmente de cortar galhos, mas de compreender o ciclo vital da planta. Durante a poda, é necessário preservar folhas e galhos suficientes para garantir o desenvolvimento futuro. Os ramos colhidos são fracionados, organizados em feixes e encaminhados aos beneficiadores com os quais a família mantém parceria estabelecida.
Danilo enfatiza que o cuidado começa bem antes da colheita, na própria observação do erval. Conhecer o momento adequado de intervenção, respeitar os ciclos naturais e permitir que a planta se recupere são fundamentos dessa relação cultivada ao longo de décadas.
Raízes na história indígena
A conexão dos povos meridionais com a erva-mate antecede as comunidades modernas. Os guaranis já utilizavam a planta antes da chegada dos colonizadores europeus. Em propriedades como a dos Greselle, práticas tradicionais como o carijo—estrutura de madeira para secagem artesanal junto ao fogo—mantêm viva essa herança cultural e demonstram como a planta era beneficiada antes da mecanização.
Quando o trabalho se transforma em encontro
Além do campo, a erva-mate ganha significado especial dentro de casa. Após o almoço e a janta, a cuia circula entre os membros da família. É o momento em que conversas fluem, o dia é compartilhado e os laços se fortalecem. Para Danilo, essa prática representa uma das maiores riquezas familiares—um ritual que reúne todos, independentemente de onde cada um trabalhou durante o dia.
Essa tradição funciona também como elo entre gerações, perpetuando valores e conhecimentos que transcendem o aspecto produtivo.
Inovação abrindo novos caminhos
Embora valorize as práticas ancestrais, Danilo reconhece que o futuro da cultura passa por expansão. O chimarrão permanece forte, mas a erva-mate pode alcançar novos consumidores através de produtos diversos—alimentos, chás e bebidas ainda pouco explorados comercialmente.
Como cooperado da Cresol desde 2022, Danilo utiliza recursos da instituição para insumos e equipamentos, fortalecendo a operação. A relação com a cooperativa reflete a confiança depositada em instituições que compreendem as necessidades do produtor rural.
Sucessão: pensando no amanhã
A questão sucessória é presente nas reflexões de Danilo. Após décadas dedicadas à propriedade, ele reconhece que a próxima etapa será decisão da geração seguinte. Sua perspectiva é clara: transmitir não apenas terra, mas conhecimento acumulado sobre o trato das plantas, respeito aos ciclos naturais e a importância de manter esses valores em família.
A preservação dessa tradição ocorre entre uma colheita e outra, entre o ensinamento de quem aprendeu com experiência e a abertura de quem ainda tem muito a descobrir. Enquanto a cuia circula, o laboral cede espaço ao diálogo—momento em que a erva-mate recupera sua essência original: motivo para estar junto.
Com informações de G1 Paraná