Portal de Notícias do Oeste do Paranádomingo, 26 de julho de 2026
Economia

Crédito rural abre caminho para modernização da agricultura no Nordeste

Produtor de manga no Vale do São Francisco conseguiu expandir sua propriedade e melhorar a produção com financiamento do Plano Safra. Histórico que reflete o crescimento da fruticultura irrigada na região.

Redação Conexão Oeste
Crédito rural abre caminho para modernização da agricultura no Nordeste

Do improviso à tecnologia: a transformação de um produtor rural

A história de Iranildo da Silva Santana é um exemplo de como o acesso ao crédito rural pode revolucionar a vida de um agricultor. Há 15 anos, ele começou com apenas dois hectares de manga no Vale do São Francisco, em Pernambuco. Hoje, sua propriedade ocupa 11,5 hectares, com metade já em fase produtiva plena.

Durante anos, Iranildo enfrentou um desafio comum em regiões semiáridas: a escassez de água. Sua solução improvisada era regar a plantação durante a noite, economizando energia e fugindo do calor intenso do dia. "Eu acordava de madrugada, abria registro por registro com uma lanterna, molhando as plantas para economizar na conta de luz. Havia momentos em que pensava em desistir", relata.

A virada chegou com o Plano Safra

O ponto de inflexão ocorreu quando Iranildo conseguiu acessar linhas de crédito do Plano Safra através da cooperativa de crédito Cresol. Com esse financiamento, ele investiu aproximadamente R$ 180 mil na ampliação da adutora que traz água do rio até sua propriedade. Depois, aplicou quase R$ 400 mil adicionais em um sistema moderno de irrigação, equipado com canos, bombas, microaspersores e mangueiras.

O resultado foi imediato. A propriedade passou a contar com quatro funcionários permanentes, além da participação da esposa e do filho nos finais de semana. Mas o impacto transcendeu os limites da fazenda: cerca de 100 famílias do assentamento passaram a viver da fruticultura irrigada, abandonando a agricultura tradicional.

Taxas acessíveis fazem diferença

Segundo Iranildo, o diferencial do crédito cooperativo está nas condições mais viáveis. "Tentei financiamento em bancos tradicionais, mas as taxas eram muito altas e os valores oferecidos, muito baixos. Na cooperativa, consegui as condições necessárias para trabalhar com margem e segurança", explica.

Higor Emanuel de Carvalho Alves, gerente de conta da Cresol em Lagoa Grande, confirma que o apoio vai além da liberação do dinheiro. A instituição oferece suporte técnico durante a instalação de equipamentos, assistência em períodos de colheita com linhas de custeio especiais e acompanhamento periódico da propriedade.

Um setor em expansão

A trajetória de Iranildo reflete um movimento maior no país. Em 2025, a manga consolidou-se como a fruta mais exportada do Brasil, com mais de 290 mil toneladas embarcadas e receita superior a US$ 335 milhões. O Vale do Submédio São Francisco respondeu por 92% desses embarques.

O Projeto de Irrigação PI-Manga, que funciona na região desde 2002, demonstra a importância da infraestrutura hídrica. Em 2025, o programa já gerenciava 38 mil hectares sob regime irrigado, gerando cerca de 152 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

Perspectivas futuras

Hoje, Iranildo cultiva as variedades Palmer, Tommy e Rosa, além de milho e mamão consorciados. Sua colheita de manga Palmer alcança aproximadamente 900 mil caixas por safra. O produtor atribui seu sucesso a três fatores: determinação pessoal, apoio institucional da cooperativa e acesso a crédito com juros viáveis.

O Plano Safra, vigente desde 2003, continua sendo um dos principais mecanismos de financiamento para o agronegócio brasileiro, oferecendo linhas específicas para custeio, investimento e modernização de propriedades rurais.

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Com informações de G1 Paraná

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