Pai e filho suspeitos de morte de cobradores em Icaraíma são procurados pela Interpol
Antônio Buscariollo e seu filho Paulo Ricardo foram incluídos na lista vermelha da Interpol após 11 meses foragidos. Eles são suspeitos de envolvimento na morte de quatro homens que viajaram ao Paraná para cobrar uma dívida de R$ 255 mil.

Investigação ultrapassa fronteiras
A Polícia Civil do Paraná confirmou nesta segunda-feira (6) a inclusão de Antônio Buscariollo, 66 anos, e seu filho Paulo Ricardo Costa Buscariollo, 22 anos, na Difusão Vermelha da Interpol. Os dois estão foragidos desde agosto de 2024 e são investigados pelo desaparecimento e morte de quatro homens em Icaraíma, no noroeste paranaense.
A decisão de solicitar o registro internacional partiu da Polícia Civil ao Poder Judiciário, que aprovou a medida. Com a autorização judicial, o pedido foi encaminhado à Polícia Federal para formalização junto à organização internacional. A ação representa um avanço significativo na busca pelos foragidos, ampliando as possibilidades de captura em território estrangeiro.
O crime que motivou a investigação
Tudo começou no dia 4 de agosto de 2024, quando três homens saíram de São José do Rio Preto, em São Paulo, rumo a Icaraíma. Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso haviam sido contratados por Alencar Gonçalves de Souza para cobrar uma dívida relacionada à venda de uma propriedade rural.
A dívida em questão era de R$ 255 mil, referente a uma venda realizada pela família Buscariollo. O pagamento havia sido negociado em dez parcelas de R$ 25 mil cada, mas nenhuma delas foi liquidada. Esta situação financeira não resolvida é apontada como o móvel do crime.
Desaparecimento e descobertas macabras
O último registro das vítimas ocorreu em uma panificadora local na manhã do dia 5 de agosto. Horas depois, por volta do meio-dia, eles conversaram com as famílias pela última vez. Naquele mesmo dia, os quatro desapareceram em uma emboscada.
A esposa de Robishley acionou a polícia em São Paulo no dia 6 de agosto para denunciar o sumiço. O veículo utilizado na viagem foi descoberto em 12 de setembro, enterrado em um bunker localizado em área rural de Icaraíma. O carro apresentava marcas de tiros, vidros quebrados e vestígios de sangue.
Os corpos foram encontrados apenas no dia 18 de setembro, em uma vala coberta por vegetação, a aproximadamente 650 metros do local onde o veículo havia sido desenterrado. Todos apresentavam marcas de disparos de arma de fogo.
Fuga e procedimentos legais
Quando a polícia foi cumprir mandado de busca e apreensão na casa de Antônio e Paulo Ricardo, no dia 7 de agosto, ambos se apresentaram voluntariamente à delegacia. Durante o depoimento, confirmaram a transação comercial envolvendo a propriedade, mas negaram relação direta com a cobrança da dívida.
Após serem liberados naquele momento, tanto pai e filho quanto toda a família desapareceram. Desde então, são considerados foragidos.
Segundo o delegado Thiago Andrade, o caso segue sob sigilo, porém a polícia permanece empenha na localização e prisão dos investigados. A Polícia Federal foi responsável por formalizar o registro junto à Interpol, processo que passou por todas as etapas legais e administrativas necessárias.
Defesa apresenta preocupações
O advogado dos suspeitos, Renan Farah, manifestou preocupação com a inclusão na lista da Interpol, argumentando que questões processuais ainda estão pendentes. Segundo a defesa, a prisão temporária continua em vigor há 11 meses, apesar de sua natureza excepcional e transitória. Também foi ressaltado que o acesso integral aos autos do processo ainda não foi concedido, comprometendo o exercício da ampla defesa garantida constitucionalmente.
Com informações de G1 Paraná